De Buda à Peste!


Szilveszter

Ano Novo, vida nova. Peço desculpas aos meus amigos e leitores pela minha ausência, porém tive alguns problemas e por isso não escrevi mais, o que de agora em diante estou disposta a mudar. Como disse Chico Xavier: "...Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim..." e é exatamente isso que farei. Inicio com a descrição do meu Reveillon e faço uma retrospectiva destes 4 meses desde que cheguei na Hungria.

Neve. Sempre passei o Reveillon no calor, com poucas roupas, 35-40 graus, pulando 7 ondas. Aliás, exatamente neste ponto estão as minhas dúvidas: como pular 7 ondas num país que não faz fronteira com o mar e com temperatura abaixo de zero? De início, pensei: "o importante é o número 7, portanto, por que não fazer 7 montinhos de neve e pular como se estivesse no mar?" Depois me veio à cabeça que eu poderia jogar 7 bolas de neve em 7 pessoas diferentes, porém, é costume a revanche, e isso seria minha ruína, além do que, iniciar o ano provocando raiva nas pessoas não seria bom. Acabei por desistir das ondas, dos montes e das bolas, inclusive, a neve não estava propícia para se fazer bolas: muito fofa e se desfazendo antes de atingir o alvo.

Reunimos todos os órfãos de família na escola e fomos para a Vörösmarty tér, uma praça em Peste: touca, cachecol, luvas e agasalhos, muitos agasalhos. No palco uma banda ruinzinha, tocavam músicas antigas e mal. O local estava lotado, com muitos estrangeiros, a maioria usava alguma coisa na cabeça, além da touca, uma peruca, tiara com chifres de demônio e touca de Papai Noel! Parece estranho, todavia aqui, já não me assusto com muita coisa e o motivo eu comento em outro texto.

Um minuto antes da meia-noite, um amigo venezuelano inicia a contagem regressiva e nós, brasileiros, fazendo coro: "cinco, quatro, três, dois, um e"... uma champagne estoura ao nosso lado. Silêncio. Um rapaz entra no nosso clima e pensa ser realmente meia-noite, sua cara de "ops" é inesquecível. Nos voltamos para outro lado e caímos na gargalhada sem sentirmos a menor culpa. Um minuto depois, iniciamos a verdadeira contagem: "cinco, quatro, três, dois, um e"... Isten, áldd meg a magyart Jó kedvvel, bõséggel, Nyújts feléje védõ kart (...). Sim. No momento da virada os húngaros, com a mão no peito, cantam o Hino Nacional (aliás é super lento, totalmente inapropriado para o momento). Somos estrangeiros e desavisados, começamos a nos felicitar, gritar e beber nossa champagne aberta no momento certo.

Pulamos tanto que, por um momento, quase me esqueci do frio, porém, os meus pés não, e resolvemos voltar para a escola. Antes de entrar, uma paradinha para rolar na neve, afinal, tínhamos de aproveitar este tempo diferente do nosso no Brasil, de alguma forma. A guerra de bolas de neve foi prejudicada porque a neve não colaborou, precisava ser mais densa, mesmo assim, nos divertimos. Escorregamos em uma rampa congelada, me senti praticando ski jump e para terminar, fizemos snow angel. Corremos para dentro da escola para trocarmos de roupa, e obviamente, continuar a festa dentro do quarto, até esperar as 3 horas para falar com a família no Brasil.

B.Ú.É.K. - Boldog Új Évet Kívánok, ou simplesmente, Feliz Ano Novo!



Escrito por Ingrid às 11h18 PM
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Embarque

No teclado hungaro nao existe cedilha nem til, portanto, desculpem os erros gráficos. Em compensacao, todos as vogais já sao acentuadas…

 

Saio de Sao Paulo as 8h rumo ao Rio. Lá encontro com mais 3 colegas brasileiros que também irao para mesma escola do que eu. Nosso vôo para Paris sai as 17h, ou seja, um dia todo dentro do Galeao. Depois de ir até a Ilha do Governador, comprar frutas para dar de presente, voltei ao aeroporto para o embarque.

 

Entramos no aviao, após uma hora de espera para decolar, porque estava chovendo, saímos do Rio, uma viagem de umas dez horas pelo menos. Janta, joguinhos, vinhos nacionais, é claro (no caso estava em aivao frances), palavra cruzada, livro e nada do aviao chegar. Resolvi entao assistir o Madagascar em espanhol,  foi tiro e queda, em menos de 3 minutos estava dormindo.

 

Chegamos em Paris em cima da hora para o embarque para Hungria, quase perdemos a conexao, se nao fosse pela minha cara de poucos amigos, acho que assustei a comissária e ela resolveu nos encaminhar ao portao correto. Já estava remexendo nos meus arquivos perdidos, se eu sabia xingar em frances…

 

Finalmente embarco no aviao para Budapest… pensei q fosse relaxar, porém era tanta turbulencia… meu pânico de aviao só apareceu nesta última etapa da viajem, apesar de estar sobrevoando os Pirineus e os Alpes em plena luz do dia, imaginar que em um pouso forcado, seria um desastre…rs

 

Pegamos as malas, amigos esperando no aeroporto, fui em direcao a escola e pelo caminho já tive minhas primeiras aulas de húngaro e de história… a cidade é LINDA, nao tenho como descrever, tudo se encaixa, tudo hamonioso, novo em contraste com o antigo…

 

Na escola a primeira dificuldade, obviamente tudo falado em húngaro, ainda bem que meu amigo me acompanhou em tudo e tudo traduziu, senao estaria perdida… Foram as frutas mais baratas que já presentei alguém… Salve as frutas brasileiras!!!



Escrito por Ingrid às 05h48 PM
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Julia, sempre Julia

Hoje saiu mais uma coluna com desenhos da Julia na Fábrica de Quadrinhos. Como sabem sou só um pouquinho coruja, por isso vou deixar um link para que possam acessar e ver o trabalho dela.

 

 

http://www.fabricadequadrinhos.com.br/indexo.php?conteudo=antimateria&id=4429



Escrito por Ingrid às 02h11 PM
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Folclore

Apenas como curiosidade, hoje dia 22 de agosto é dia do folclore. Como gosto muito de folclore resolvi escrever um pouquinho sobre isso.

Folclore é o conjunto de manifestações de caráter popular de um povo, ou seja, é o conjunto de elementos artísticos feitos do povo para o povo, sempre ressaltando o caráter de tradicional destas representações, sempre transmitidas de uma geração para outra através da prática (os pais ensinam aos filhos, que desde pequeninos já praticam). O folclore pode ser percebido na dança, música, religião, festas, brincadeiras infantis típicas, superstições, lendas, mitos dentre outras.

A palavra folclore surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. "Folk", em inglês, significa "povo" e "lore", conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) quer dizer "conhecimento popular".

O termo foi criado por William John Thoms (1803-1885), um pesquisador da cultura européia que em 22 de agosto de 1846 publicou um artigo intitulado "Folk-lore".

Por isso, hoje no mundo todo se comemora o dia do folclore. Parabéns!!!



Escrito por Ingrid às 07h12 PM
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Como tudo começou

Tudo começou quando, conversando com amigos queridos, surgiu a idéia de fazer um diário de viagem para relatar esta aventura louca que somente uma pessoa como eu poderia fazer. Amigos que, de certa forma, sentirão saudade (assim como eu) e, para estar mais próxima deles, revolvi enfrentar a dificuldade e montar esta página. Pensei antes em escrever em papel, porém, quem hoje em dia carrega consigo aqueles diários de antigamente? Aqueles onde escrevíamos nossos segredos mais bobos e tínhamos medo que alguém lesse? Hoje em dia, existem os blogs, flogs e home pages, ninguém mais quer esconder nada de ninguém, pelo contrário, todos querem se expor, libertar os sentimentos mais íntimos e para isso, existe a Internet. Além do mais, em papel eles só ficariam sabendo da viagem quando eu retornasse, não teria graça alguma. O interessante é acompanhar passo por passo.

Hoje resolvi escrever meu primeiro texto referente à viagem que farei em 06 de setembro para Hungria. Ficarei em Budapeste por 10 meses estudando húngaro e hungarologia, ou seja, cultura, história, geografia e tudo mais que puder saber sobre este país. Ficarei no alojamento da escola mesmo, dividindo o quarto com mais dois estudantes, a princípio, desconhecidas.

O nome do blog, ‘De Buda à Peste’, surgiu, em função do nome da cidade onde ficarei, Budapeste, aliás, esta cidade é dividida em dois pelo Rio Danúbio: Buda, parte montanhosa e Peste, parte plana, por isso, o nome Budapeste. Além disso, ‘De Buda à Peste’ faz uma analogia como do Sublime ao Caos, ou seja, posso escrever e falar sobre qualquer assunto e mesmo assim, não fujo do tema em questão.

         Aos meus amigos deixo então minhas aventuras.

Escrito por Ingrid às 03h08 PM
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Literatura?

Este texto foi publicado no site da Fábrica de Quadrinhos em 17/05/2005. Como gostei muito e obtive vários comentários favoráveis, resolvi republicá-lo aqui.

Hoje acordei com vontade de causar polêmica e é exatamente isso que farei... Que me perdoem os fãs de Paulo Coelho (afe!), entretanto, depois de algumas experiências que envolvem o suposto escritor, não posso mais me calar, ALGUÉM PRECISA ME OUVIR!!! Ou melhor, ler o meu desabafo.

Estava eu em uma megastore de livros, para minha comprinha mensal básica. Escolhia alguns livros, quando me deparei com uma daquelas estantes presentes no meio da loja com uma placa que dizia: “Livros Mais Vendidos”. Tão grande foi minha indignação ao ver pelo menos três livros do Paulo Coelho em destaque! Sem perceber as pessoas em minha volta, praguejei:

- “Eu odeio Paulo Coelho!”. Pronto, foi o que bastou. Ao meu lado, uma senhora se espantou e pergunta:
- "O que foi que você disse?"

Pensei. Agora não tem jeito, não dá para voltar atrás, vou ficar horas aqui e discutir. Contudo estava com tempo, enchi o peito de ar e fui em frente, preparada para o linchamento, repeti:

- “Eu odeio Paulo Coelho!”. Até fechei os olhos na esperança do escândalo ser menor. E qual não foi minha surpresa ao ouvir a reposta:
- "Preciso de seu telefone! Você é a primeira pessoa que ouço falar isso!"

Talvez esta senhora precise de uma reciclagem digital. Eu poderia apresentar diversas comunidades no orkut, por exemplo, contra Paulo Coelho, assim ela não ficaria tão boquiaberta com reações contrárias ao tal autor. Lembrem-se do lema "o que seria do amarelo se todos gostassem do azul". Mas acho que essa tendência de idolatrar o escritor aqui em questão, deve-se ao fato de que as pessoas necessitam urgentemente de alguma palavra de conforto. Palavras que as motivem. Não sou contra a motivação, mas aos idólatras.

Será mesmo? Não é possível que somente eu ache este cara um charlatão, um idiota! Será que sou uma estranha neste mundo? Isso me entristece... Porém percebo que pelo menos no meu núcleo de amigos, eles pensam como eu! Ufa, que alívio! Devemos ser todos estranhos, ou sabemos julgar o que é literatura melhor do que a maioria das pessoas. Sem falar que temos opinião própria.

Nada neste mundo me faz entender COMO Paulo Coelho faz sucesso no Brasil. Fico horas e horas pensando e chego sempre na mesma conclusão... Gente, o cara é MUITO ruim, não sabe escrever, não sabe fazer concordância verbal (minha filha aprende isso na escola e ela só tem nove anos!) e o pior, faz plágio de tudo e mais um pouco de obras de autores mais interessantes! Ele é uma piada! Se diz mago (quê?), se diz escritor(valha-me Deus!) e ainda consegue fazer parte da ABL (Machado de Assis, por esta você não esperava, hein?).

Querem um exemplo? Vejam um trecho de um de seus livros:

"Quinhentos guerreiros apareceram no horizonte (...) parecia uma expedição de paz, mas HAVIAM armas escondidas SOBRE os mantos brancos".

Agora me respondam: como é que se escondem armas por cima dos mantos? Sem falar no verbo haver.

Uma amiga húngara me pediu um livro dele de presente. Juro, não sabia o que dizer. Ela gostaria de aprender o português e por isso, me pediu um livro do Paulo Coelho, pois o cara estava em Budapeste, fazendo mais um lançamento. Apenas pude dizer que se ela queria aprender português que lesse outra coisa, qualquer outra coisa, disse ainda que ficaria muito feliz em enviar um livro de um escritor de verdade, como o Veríssimo. Céus! O mundo está dominado. A única explicação para o sucesso de vendas no exterior é porque os livros são traduzidos e os erros gramaticais somem. Porém o que me intriga ainda é como ele faz sucesso aqui?!

Outro dia li, em algum lugar, um relato muito interessante de um guri, que falava da bronca que levou de seu pai ao fazer um comentário infeliz sobre o Paulo Coelho. Ele conversava com seu pai e alguns amigos, quando o pai citou a seguinte frase:

- "Quando você quer algo, o universo conspira para que isso aconteça". E ele disse ao pai:
- "Eu já li isso no Alquimista". O pai olhou para o garoto como se este tivesse falado:
- "Pai, eu uso calcinha", e disse:
- "Eu não me dou ao trabalho de ler o PC, porque durante a minha vida eu já li todos os livros de onde ele copiou as idéias que ele escreve".

Estas não são palavras minhas, mas este pai merece minha admiração! Mais uma pessoa que consegue discernir as coisas no meio de tanta baboseira.

Para amenizar minha vergonha em saber que, eu, brasileira estou automaticamente associada a tal figura, só me resta analisar melhor, e perceber que na verdade, o cara não passa de um gênio. Sim. Ele copia todas as frases de pára-choques de caminhões (aliás, estas eu adoro!) e de portas de banheiro dos piores botecos, faz plágio das obras de autores de livrecos de auto-ajuda e ainda consegue fazer muito dinheiro em cima disto! Ele é o papa do marketing, deixando Seth Godin e Philip Kotler para trás! 



Escrito por Ingrid às 01h23 PM
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